Instituto Fayga Ostrower

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Herdeiros Fayga Ostrower

No Anfiteatro de Epidaurus, Grécia, 1984.

No Anfiteatro de Epidaurus, Grécia, 1984.

Falece no dia 13 de setembro, no Rio de Janeiro, deixando o livro incompleto. Tinha uma série de compromissos para o ano seguinte e também o plano de uma viagem para percorrer de carro o sul da França. Suas cinzas foram levadas pela filha Noni e pelos netos João Rodrigo e Leticia para o Anfiteatro de Epidaurus, na Grécia, sobre o qual ela escreveu:

Epidaurus é lindo, lindíssimo! É um dos lugares mais maravilhosos deste planeta. (...) fazia parte, na Antigüidade, de um santuário dedicado a Asclépio, Deus da Medicina. Tal santuário representava uma ilha de paz em meio a um mundo tumultuado, sendo respeitado pelas outras cidades-Estado da Grécia em suas eternas lutas pelo poder. Constituía uma espécie de centro clínico e de cura, para onde acorriam pessoas de todas as regiões da Grécia. (...) este santuário consistia em um templo (...) com um labirinto subterrâneo, em cujas galerias os doentes deviam passar uma noite a fim de, na manhã seguinte, contar seus sonhos aos sacerdotes do templo, que os interpretariam (pré-pré Freud). (...) as pessoas passariam horas de contemplação percorrendo o bosque sagrado (...). E também fazia parte do tratamento sentar no anfiteatro e assistir a uma peça de teatro grego. (...). Como eram sábios, esses gregos! (...) Há que ir a Epidaurus e ficar sentado em silêncio neste anfiteatro (de preferência não em horas de turismo). Neste silêncio somos tomados por um sentimento da mais profunda felicidade e paz de espírito e, por um instante e de modo misterioso, parece que compreendemos o sentido de viver. Sim, a beleza pode curar.

As cinzas de Fayga foram depositadas no bosque citado no texto.